Especialista Elias dos Santos
Em muitas indústrias, os alertas dos técnicos de manutenção ainda são tratados com desconfiança ou vistos apenas como custo. Porém, ouvir o técnico não é apenas uma decisão técnica, mas uma escolha de gestão humanizada e financeiramente inteligente, já que a manutenção preventiva protege o negócio de perdas maiores, paradas não planejadas e danos estruturais ao longo do tempo.
Falhas mecânicas em equipamentos industriais que geram prejuízos não acontecem de forma repentina. Antes de uma parada inesperada ou de um dano crítico, as máquinas costumam apresentar sinais sutis e progressivos. O principal desafio das indústrias, no entanto, não é a ausência desses alertas, mas a dificuldade em reconhecê-los, interpretá-los corretamente e agir antes que o problema se agrave.
Segundo Elias dos Santos Amado, especialista em manutenção industrial com 19 anos de atuação em montadoras de automóveis, grande parte das falhas que provocam interrupções não planejadas em linhas de produção já havia dado indícios físicos e operacionais dias ou até semanas antes do evento crítico.
“O que falta, muitas vezes, não é tecnologia de detecção, mas capacidade de interpretação. Um ruído que muda, mesmo levemente, é um sinal claro de que algo saiu da zona de equilíbrio. É nesse ponto que começa a atuação preventiva de verdade”, explica.
Na prática, o especialista defende que a manutenção preventiva eficaz vai além do calendário de revisões e dos checklists padronizados. Trata-se da leitura do comportamento real dos equipamentos em operação, uma abordagem que se aproxima da manutenção preditiva, mas que não se limita aos dados gerados por sistemas automatizados.
Entre os chamados “sinais de pré-falha”, o Elias dos Santos destaca:
- Vibrações anormais que não são detectadas pelos sensores porque estão abaixo do limiar configurado;
- Mudanças no timbre sonoro do motor que indicam desbalanceamento mecânico;
- Alterações no tempo de resposta de atuadores hidráulicos;
- Padrões de resíduo metálico no óleo que podem ser percebidos no momento da troca, mas não estão documentados no sistema.
Essa conexão, segundo ele, exige presença constante no chão de fábrica. O técnico de manutenção precisa acompanhar os ciclos produtivos, interagir com operadores e manter sensibilidade para qualquer desvio. “Equipamento nenhum quebra do nada. A ruptura só é ‘inesperada’ para quem está distante. Quem convive com a máquina percebe os primeiros alertas.”
Embora reconheça o avanço de sensores, softwares de monitoramento, IoT e inteligência artificial aplicada à manutenção, Elias é firme ao afirmar que a atenção humana continua insubstituível. “Nenhum sensor detecta com precisão o som de algo fora do normal se esse som ainda não foi parametrizado. A tecnologia ajuda, mas não substitui o raciocínio crítico de quem conhece a máquina de perto”, conclui.
Sobre Elias dos Santos Amado
Elias dos Santos Amado é tecnólogo em Fabricação Mecânica, formado pela Faculdade de Tecnologia Roberto Mange (FATEC/SENAI), com mais de 19 anos de atuação em montadora de automóveis e 4 anos e meio de experiência direta como mecânico de manutenção industrial. Atua na Honda Automóveis do Brasil, onde é responsável por manutenções preventivas e corretivas, garantindo eficiência operacional, segurança e conformidade com padrões de qualidade. Possui sólida experiência em gestão de manutenção, diagnóstico de falhas, relacionamento com fornecedores e cumprimento rigoroso de normas técnicas e de segurança, aliando visão prática, organização e compromisso com a excelência industrial.
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